Seis anos após crime, acusado de tentar matar Bárbara Penna vai a júri popular em setembro

A 3ª Vara do Júri do Foro Central de Porto Alegre realiza no dia 3 de setembro, a partir das 9h30min, o julgamento popular do homem acusado pela tentativa de homicídio da ex-companheira Bárbara Penna e também pela morte dos dois filhos dela, de três meses e de dois anos, além de um idoso, no bairro Jardim Lindóia, em Porto Alegre. O crime ocorreu há quase seis anos, na noite de 7 de novembro de 2013, no apartamento onde o casal morava. A expectativa é que a sessão do júri, presidida pelo juiz Paulo Augusto Oliveira Irion, se estenda até o dia seguinte.

O réu, João Guatimozin Moojen Neto, que permanece recolhido no sistema prisional, responde por homicídio qualificado tentado e três homicídios qualificados consumados, com as mesmas qualificadoras, tendo como agravantes ainda o crime praticado contra a mulher, contra menores de 14 anos e maior de 60 anos.

Conforme a denúncia do Ministério Público, o réu estava inconformado com o fim do relacionamento agrediu-a primeiro e depois ateou fogo com álcool nela e no apartamento. A jovem, então com 19 anos, já atingida pelas chamas, foi atirada por ele pela janela do apartamento situado no terceiro andar.

O fogo alastrou-se pelo imóvel e provocou densa fumaça tóxica. As duas crianças morreram quando estavam dormindo em suas camas. Já o idoso, vizinho no condomínio, tentou socorrer a família, mas desfaleceu nas escadas, sufocado pela fumaça. O crime teve forte repercussão social na época.

Em março deste ano, Bárbara Penna de Moraes Souza recebeu o Título de Cidadã de Porto Alegre por ser “um exemplo de superação, de luta e de solidariedade para com todas aquelas que sofrem ou podem vir a sofrer violências semelhantes às que sofreu”. Natural de Goiânia, capital de Goiás, é filha de pai paranaense e mãe gaúcha. Como gostava de cuidar de animais de rua, ela sonhava tornar-se médica veterinária. A atual deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL) foi a proponente da homenagem na época em que era vereadora.

Após a dolorosa recuperação, ela se tornou ativista da luta contra a violência doméstica. Atuante nas redes sociais e proferindo palestras por todo o país, ela criou o Instituto Bárbara Penna que fornece suporte às mulheres vítimas de violência. Na Facebook, ela fez uma postagem em maio deste ano: “Perder os pais é perder o passado, mas perder um filho é perder o futuro, e independente do tempo que se passa ou daquilo que aconteça na minha vida, é uma falta que eu sinto. Nada cessa minha dor, nada faz eu entender e aceitar o assassinato dos meus filhos (…) Pra mim, é impossível ‘virar a página’ e seguir em frente. Seguir eu sigo, tento todos os dias quando acordo.”, escreveu.
Fonte:Correio do Povo

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